Não são só memórias. São fantasmas, que me sopram nos ouvidos coisas que eu...

19
Set 10

Ela tá acabando comigo. Cutucando, e infernizando a cada segundo. Eu só queria um dia de folga. Queria poder bloqueá-la, sabendo que bastaria. Queria que ao invés de me mandar pensar nos outros, ela o fizesse. Que talvez se mudasse pro Alasca, ou só arranjasse um namorado. Mas dessa vez, um namorado que não fosse o meu.

Se ela parasse de criar casinhos também, seria muito bom. Se parasse de me dizer o quão eles viveram juntos, o quão bem eles se davam, e o quanto ele fazia por ela, talvez ajudasse um pouquinho.

Ou talvez eu devesse me desapegar. Seguir em frente, e deixar com que ela tome conta, do que foi o meu passado. Mas não seria desviar dos obstáculos? Ou será que tudo isso é uma prova de que não vai dar certo? Eu queria saber. Mesmo.

Mas ninguém me conta nada. As pessoas têm sido muito relativas, e ajudado muito pouco na verdade. Não que eu ache que alguém tenha a obrigação de ajudar, por que eu acho que não tem. Mas eu gostaria que o fizessem. Talvez o meu cachorro faça.

Queria que alguém me apontasse qual caminho seguir. Queria que me dissessem que eu tenho que matar o dragão, e viver feliz com a princesa (ou plebeu, no caso). Ou até que me dissessem que eu devia achar outra pessoa. Gostar de quem gosta de mim, como dizem. Mas sinceramente, se eu tiver que procurar, de novo, por alguém que faça eu me sentir de tal forma, como me sinto agora (a não ser quando ela está no meu pé), eu realmente pararei de procurar.

Se algo tiver de vir, que venha sozinho, por que eu não vou mais buscar. Se a montanha não vier até mim, eu estou pouco me importando, na verdade. Também não vou até ela.

Uns dias atrás, conversando com um amigo, chegamos ao assunto de o que exatamente é o amor. E então, acho que concordamos que, de acordo com boa parte das pessoas hoje em dia, o amor é possuir. Se não puder chamar de meu, não é amor. Se você puder dizer que a sua calçada está suja, ah meu Deus, você tem que amar a sua calçada.

Não é o que eu espero. Se eu quisesse ter algo pra possuir, e chamar de meu, eu comprava um urso de pelúcia. Um vaso de orquídeas, talvez. São, com certeza muito mais fáceis de lidar, não choram, não gritam, não traem... E o melhor de tudo, te ouvem sem julgar. E ouvirão por um bom tempo, se você colocar meio copo de água por dia.

Mais fácil, sim, mas não recíproco. Como já dito, a maior dor, é a dor de amor. A dor de amar alguém que não sente o mesmo por você. Ou que talvez sinta um amor... mas puro, digamos. E isso me faz voltar a garota, que me diz que eu devo pensar nas outras pessoas. Pensando nas outras pessoas, que gostam da mesma pessoa que você, o que é que se deve fazer? Esquecer? Lutar? Desistir? Rezar? Subir o Cristo Redentor ajoelhado? Por que na verdade, tá difícil.

Mas eu acho que em tudo isso; em cada parte, está a resposta. Amar é aceitar que a pessoa seja feliz, sendo, ou não, com você. É se sentir incomodado quando ver um casal, e pensar que poderiam ser vocês, mas que não vai ser, por que ele está com alguém que o faz feliz. Ah, e adivinha? Esse alguém não é você, babaca.

Pode ser o certo. Pode ser o que eu vá fazer, mas ainda sim, não sacia a dor; nem a garota enchendo o meu saco. Dica.

(Imagem por http://www.flickr.com/photos/pedrotrindade)

OBS: Alan, obrigada por ter me motivado - apesar de ter escrito isso como um desabafo mesmo, coisa de cinco minutos, por que o que eu tinha escrito quando você me cobrou, tá no caderno, sem coragem de ser postado - a voltar a postar, e por ir pra escola pra voltar comigo. E desculpa, por ter te deixado na mão todas as vezes que você fez isso, e eu não voltei com você. Não foi por mal :/ Então, desculpa, e obrigada.

publicado por Helen às 05:42
sinto-me: Nossa, ótima, tu nem sabe. U_U
música: Você não me ensinou a te esquecer - Caetano Veloso
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