Não são só memórias. São fantasmas, que me sopram nos ouvidos coisas que eu...

25
Jul 09

Mais um termino de namoro. Tinha se tornado fácil o suficiente pra mim. Também, depois de fazer isso quase uma vez por semana, quem não se acostuma? As frases e olhares do outro são sempre as mesmas. ''O que eu fiz de errado?'' ''Você tem outro?'' Era tão difícil assim entender que eu não sentia nada? Era como um vento, que, se foi. Mas ninguém entendia, me chamavam de galinha, e os homens até apostavam com quem eu ficaria mais tempo.  Uma semana. Exata. Pra todos eles.

 Não me encomodava mais com o que diziam, apelidos, e se ligariam ou não pra me dedurar aos meus pais. Tinha dito a eles que tinham inveja das notas, e cairam como patos na lagoa. Não serviam pra nada, os dois, na verdade. Além de fazer comida (que era péssima, por sinal), não serviam pra exatamente nada.

Amigos? Nenhum que servisse pra alguma coisa. Só os garotos que ainda queriam usufruir da minha boa vontade, e que eu acabará de decidir; iam continuar querendo. A dois anos eu havia feito um perfil na internet, em um site qualquer, e, conheci pessoas legais. Não extremamente legais, mas legais, a não ser por um. Adam.

 Ele sim era especial, mas nunca demonstrara nada mais que amizade. Adam morava a duas horas da minha casa, de acordo com as indicativas. Não era longe, eu sei, mas sabia também que se visse-o pessoalmente, provavelmente não aguentaria. No dia anterior de terminar com mais um dos namorados, ele aparecera na minha porta, com o rosto imerso em lágrimas, dizendo que seus pais haviam morrido em um acidente de carro.

 Adam já tinha pensado em se matar, em mudar de pais, mas disse que não poderia tomar qualquer uma das decisões sem falar antes comigo. Então, lá estava ele, o meu amor, parado a minha porta. Meus pais estavam em uma viagem a Roma, e voltariam em quinze dias. Convidei-o então para que ficasse em casa, até que as coisas aliviassem pelo menos.

Tivemos um lance, como imaginei que teria, mas a noticoa ruim veio logo em seguida; Adam era casado. Mas, pera ai, como assim, casado? Ele só tinha dezoito anos. Pelo menos era o que eu pensava.

-Wendy, tem muita coisa sobre mim que você precisa saber. Eu... talvez não seja quem você esperava.

-Eu sei quem você é, Adam. É Adam Shandler, tem dezoito anos, sol-tei-ro, estuda no St. Bengi, é cercado de amigos e pessoas que te amam...

-Não, Wendy. Não. Sou Adam Celer, tenho vinte e sete anos, sou casado, tenho um filho de um ano e meio, trabalho no Mylanta's Café, sou gerente, ganho R$ 40.000 por ano, moro na cobertura de um hotel, minha esposa trabalha no FBI, e, meus pais morreram a cinco anos.

Já devem ter imaginado que meu mundo foi ao chão, e que o meu primeiro intuito era quebrar a casa na cabeça dele. Mas, alguma calmaria me empediu de fazer isso.

-Quer dizer que, foi tudo um engano, Dr. Celer?

-Tudo não, Wendyzinha... - pera ai, acabou de me dizer que era tudo mentira, e já vinha me abraçando? Ah, tá.

-Wendyzinha o caralho. Fora.

Empurrei-o pra fora de casa, e bati a porta, mas fiquei no hall tempo suficiente pra ouvi-lo dizer ''eu te amo, Wendy, porra.''. Era a primeira vez que tais palavras eram ditas. Esperava por isso a cada segundo, e o desejava, cada dia mais, mas, eu já não o queria mais, não queria saber se era casado, ou não, ou o motivo de todo o seu choro. Vai a merda, você e o seu amor. Em dois anos, e ele só aparece agora? Não. Eu já tinha esperado tempo demais, sofrido demais, era a vez dele de pagar pelo que fez

O homem que eu julgava ser o amor da minha vida, agora tinha sido como os outros; como o vento, que, se foi.

publicado por Helen às 02:46
sinto-me: A Ice-cub
música: I Will Be - Avril Lavigne

Julho 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24

26
27
29
31


arquivos
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO